quinta-feira, 12 de junho de 2014

O(s) primeiro(s) beijo(s)


20 de julho de 2009. Falta pouco para meia-noite. O ônibus praticamente vazio segue rápido pela avenida Almirante Barroso e, sentada em um assento ao lado da janela, está uma adolescente de 17 anos com um sorriso bobo no rosto. Ela sabe que a hora não é apropriada para andar sozinha pela rua e que precisa ficar atenta, mas a brisa e as lembranças da noite trazem uma alegria que a põe em devaneios. O tão aguardado primeiro beijo, imaginado durante meses, finalmente acontecera. E ainda foi seguido de outros dois. Ela sentiu o coração bater tão rápido que considerava seriamente se ele podia ouvir, estando assim tão perto. O cenário foi meio inusitado: em um sofá alheio, ao lado de vários amigos, enquanto assistiam a um filme do qual tempos depois ele nem lembraria o nome. Ironicamente, chamava-se "Ele não está tão a fim de você". Mesmo no espaço pequeno, o gesto do casal passou despercebido por todos os outros, que não notaram o momento decisivo em que ela deliberadamente o roubou um beijo. Aliás, cinco anos se passariam e este ponto ainda geraria controvérsias. Na visão dele, o primeiro toque entre os lábios, breve e acidental, é o marco do início do relacionamento. O fato é que, seja qual for dos dois - ou três, dependendo do ponto de vista  - beijos que ocorreram naquela noite de verão amazônico, duas vidas tiveram seus caminhos mudados. Teria feito alguma diferença se eles estivessem plenamente conscientes de que aquele momento seria contado e recontado como elemento crucial de uma história de amor? Era uma das verdades que aquela garota sabia, dessas certezas que a gente tem no coração, ainda que ela achasse muita pretensão afirmar isso em voz alta.