terça-feira, 24 de maio de 2011

Além da floresta

Assistindo os jornais, tenho ouvido muito sobre o novo código florestal e através deste link eu consegui entender melhor as alterações e implicações. Esse código que está previsto para ser votado hoje na Câmara, divide os noticiários com o assassinato de uma das principais lideranças em defesa das florestas do Pará. O extrativista José Claudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo da Silva infelizmente conseguiram repercussão nacional da maneira mais trágica possível, assim como Chico Mendes. Semestre anterior escrevi uma matéria sobre o seringueiro morto em 1988 e reproduzo-a aqui.

" A luta pela sobrevivência no Acre existe antes mesmo do nascimento de Chico Mendes. Mas foi depois de sua morte que ela ganhou destaque mundial. No Brasil, os seringueiros eram vistos como um problema distante e não tinham a visibilidade necessária para mudar a impunidade que reinava em Xapuri, principal palco das lutas de Chico.
O cenário mudou a partir de 22 de dezembro de 1988, quando a notícia da morte mais que anunciada de Chico circulou no pouco espaço que a mídia brasileira concedia. A mobilização começou nos jornais estrangeiros, que já haviam elegido Chico como um ícone da defesa da Amazônia, o que lhe garantiu até um prêmio da ONU.
O público brasileiro se surpreendeu com a repercussão internacional da morte do seringueiro e voltou suas atenções para o Acre. Após ter sido manchete no The New York Times e The Washington Post, a imprensa brasileira deu mais destaque para a situação e enviou equipes para apurar o que a justiça do estado não dava conta.
Conforme os jornalistas transmitiam a realidade de Xapuri e das circunstâncias do crime, a questão ambiental ia ganhando espaço. Em meio às investigações e propostas para gravação de um filme, os seringalistas lutavam pelos seus direitos e davam prosseguimento ao legado de Chico Mendes.
Ele defendia a criação de reservas extrativistas, que garantiriam o sustento dos seringueiros e não prejudicariam a floresta. Chico criou o Conselho Nacional de Seringueiros, em 1985 e que funciona até hoje e após sua morte foi criada a Reserva Extrativista Chico Mendes, que abrange cerca de um milhão de hectares e atende centenas de famílias.
Chico mudou o cenário do Acre literalmente Não só nas questões agrária e política. Xapuri alcançou grandes melhorias no intervalo de dois anos entre o crime e o julgamento, para que pudesse atender o número de pessoas que queriam conhecer o lugar onde um seringueiro deu continuidade a uma causa tão antiga no país,mesmo sabendo que não era o primeiro e nem seria o último que morreria defendendo os povos da Amazônia."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Filosofia de banheiro


Certo dia eu usei o banheiro de uma instituição e reparei que entre as tradicionais frases rabiscadas na porta, havia um pequeno texto. Dizia assim:

"Gente, ao invés de escrever tanta besteira porque não usamos essa maldita vontade de riscar a porta do banheiro para o bem? Eu proponho uma coisa: que tal se deixarmos coisas úteis para as mulheres que usam esse banheiro?
Podemos falar sobre os homens, acho que muitas de nós já tiveram experiências ruins com eles e é claro, aprendemos alguma coisa. Eu aprendi que definitivamente são todos iguais. Podem até agir diferente, mas a essência é a mesma.
O que deixo pra vocês é: Valorize a si própria porque se vc não se valorizar, nenhum homem a valorizará. Homens adoram mulheres que gostam de si mesmas!
E você, o que aprendeu?"

Achei interessante o início e o fim. O segundo parágrafo parece um pouco radical, generalizando assim... Mas é um desabafo feito na porta de um banheiro, vamos relevar.

sábado, 21 de maio de 2011

Meu primeiro jornal

Jornalismo está no meu sangue. Prova disso é o jornal que venho mostrar nesse post. Ele foi produzido por mim em 1998, no auge dos meus 6 anos de idade. A primeira matéria é sobre o meu bairro. Nem todas as notícias são verdadeiras ou as fontes são confiáveis, mas eu tinha que cumprir o deadline e não entendia muito de ética jornalística. Em itálico são os trechos que eu escrevi. Cliquem nas imagens para ampliar.



 "Souza é um bairro muito bonito. Ele fica na cidade de Belém, no estado do Pará. Tem esse nome porque mora muita gente com esse nome no bairro. As ruas mais conhecidas desse bairro são Almirante Barroso. Nele podemos encontrar padaria, supermercado e peixe.  O ponto positivo desse bairro é tacacá e vatapá. O ponto negativo desse bairro é porque passa muito ônibus. Nesse bairro são necessárias algumas melhorias: Diminuir o engarrafamento."





Gente, percebam os preços. Eu não tinha nenhuma noção, haha. Ou a mercadoria tem procedência duvidosa.
 Agora sim, uma notícia! "BRIGA DE PIVETES - Teve briga de pivetes na pracinha do bairro Souza no dia 12/11/98, três saíram feridos a bala estão internados na UTI da Santa Casa e 5 foram presos." Essa sou eu, uma criança retratando a realidade das ruas. Essa briga ocorreu mesmo, e a testemunha ocular foi a empregada daqui de casa. A Rose relatou e eu escrevi. Exagerando bastante, pois ninguém levou bala.
"FESTA NA PRACINHA CENTRAL - O prefeito Edimilson e a vice - prefeita Ana Júlia se apresentaram na pracinha foi uma festança só teve balão e os outros beberam muito. Isso aconteceu no dia 11/11/98 eles vieram colocar os coletores de lixo no bairro Souza."





Eu quero chamar a atenção para a sincronia entre texto e imagens. A busca pela imagem perfeita me custou alguns gibis, mas tudo pelo leitor. Espero que gostem e comentem (:

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quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Encantada



Nas últimas férias eu conheci Petropólis e visitei a casa museu do Santos Dumont, que recebe o nome de Encantada. Ela fica em um terreno bem estranho e foi resultado de uma aposta com os amigos. Eles disseram que ele não conseguiria erguer uma contrução naquele pedaço do morro do Encanto. Obviamente, eles perderam.


A casa é pequena. No térreo tem um espaço que ele usava como oficina. No segundo andar fica a sala de estar, de jantar e a biblioteca em um único espaço. A escada de acesso é muito curiosa. Ela é recortada em forma de raquete, para evitar tropeços. No terceiro andar, que é quase metade do segundo, fica o quarto e banheiro. E ainda, no alto do telhado, um espaço que ele usava para observações astronômicas.




O chuveiro dele.

Quase todos os móveis da casa são acoplados à parede e tem dupla função. Mesa / balcão de estudo / cama / gaveta e assim vai. O armário é muito pequeno, mas definitivamente o chuveiro é o mais curioso. Era uma invenção dele e funcionava assim: um balde perfurado dividido ao meio, com entradas para água fria e quente, e duas correntes de dosagem da temperatura. E era aquecido a álcool.


A escada pro mirante ali atrás.


As cartas, os livros e o chapéu dele também estão em exposição. A Encantada fica em frente o Relógio das Flores, outro ponto turístico da cidade. Como vocês notaram - ou não - a casa não tem cozinha. Ele pedia as refeições para um hotel que havia em frente! A casa toda é muito interessante, cheia de traços da genialidade de Santos Dumont.