domingo, 17 de abril de 2011

Na minha rua...

A minha rua é na verdade um conjunto habitacional. Tão grande e com tanta coisa que parece um bairro. Moro nele há 13 anos e conheci muitos personagens. O primeiro com certeza é o cara do saxofone. Quando chegamos aqui ele morava no apê ao lado e era do exército, o Armando. Mas depois que ele chegava, todo fim de tarde tocava seu saxofone. Eu achava incrível e adorava o som. Por isso que desde os 6 anos eu gosto tanto de ouvir o som do sax.
Uma que é a vizinha da frente desde que eu me lembro é uma moça que não sei o nome, só os diversos apelidos. Uma moça que usa óculos fundo de garrafa e roupas apertadas. Adora tecnomelody e forró. Faz questão de ir pra janela cantar suas músicas preferidas, embora tenha uma voz esganiçada. Uma vez escutei ela se engasgando enquanto cantava no banheiro. Dei um sorrisinho irônico e me senti vingada.
Aaah, a Dona G! Guardiã do bem estar de seus vizinhos. Oráculo da vizinhança. Dona G tudo sabe, pois vive na janela zelando pela rua. Ela sabe a hora que eu saio e que chego. Quem está e quem esteve lá em casa. Se você tentar jogar entulho na rua, ela vai te impedir. Se você estacionar errado e fechar a rua, ela vai lutar pelo direito de ir e vir. Quando eu penso que ela não está lá, é só olhar direito e consigo ver ela atrás de uma toalha estendida na janela, com a luz do quarto desligada. Incansável.