segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Conversas alheias



Sou curiosa e costumo apurar os ouvidos quando alguma conversa alheia me chama atenção.Ouvi o diálogo abaixo dentro do ônibus, voltando pra casa.

"- Que engarrafamento, heim? A tendência do trânsito em Belém é piorar. - Reclamou o homem.
- É verdade. - A senhora concordou e ao contrário do que eu faria, prosseguiu a conversa. - Olha, eu morei no Maranhão há 40 anos atrás e na frente de casa só passava bicicleta. Voltei lá em outubro, pro enterro do meu pai, e a rua de casa é a avenida principal da cidade!
- Meu pai também faleceu tem pouco tempo.
- O meu morreu com 98 anos e deixou uma mulher de 32 anos!
- Minha mãe chora todos os dias. Eles tinham 50 anos de casados. Às vezes a gente assiste o dvd das bodas de ouro deles, mas é só pra gente chorar. Coisa de louco essa morte dele. Eu não me conformo. - Concluiu já com a voz emocionada.
- A minha mãe que morreu primeiro. A lembrança que eu tenho dela é sentada na mesa com os 7 filhos, tomando café. Aí ela foi buscar farinha com a vizinha... Quando ela voltou, caiu no chão, sangrando, como se alguma coisa tivesse estourado dentro dela. Foram chamar meu pai que tava cuidando dos porcos e ele veio acudir, mas ela já tinha ido...
- Meu pai era saudável! Um dia reclamou de uma dor no braço e foi pro hospital pra não voltar mais. Deu um ataque cardíaco e morreu nos braços da mamãe.
- Pelo que sei, papai também tava saudável. Na verdade, quando a mamãe morreu o papai adoeceu muito, pensou que ia morrer e deu a gente. Deu os filhos pra outras pessoas criarem. Foi quando vim pra Belém com meu irmão. Só que depois que ele melhorou, não quis mais saber dos filhos... Essa foi a mágoa do meu irmão, eu acho. Ele não aguentou a pressão e se matou. Pegou uma corda e se enforcou no banheiro. Só fui rever o papai quando voltei fugida pro Maranhão, com 15 anos. - Ela narrou com uma voz neutra como quem já aprendeu a lidar com tais perdas."

O que ele comentou eu não ouvi, precisei descer do ônibus. Essa conversa me deixou perturbada.Duas pessoas desconhecidas com uma dor em comum. A de perder um pai. Duas maneiras diferentes de lidar com a morte. Diferentes histórias de vida que se cruzaram dentro de um coletivo e compartilharam suas dores. Achei o relato da mulher muito mais chocante e triste, mas quem estava mais arrasado era o senhor. Não ouvi nenhuma palavra de consolo, mas também... Como consolar um desconhecido?

"O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã." Salmos 30:5

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Namoro à distância

2.700 quilômetros me separam do meu namorado. Alguns acham isso loucura, acham inviável. Outros se identificam. Foi assim que surgiu o twitter e o blog do povo que mora longe do seu amor. Eu contribuí com um texto pro blog e resolvi postá-lo aqui também. O título é Conselhos sobre um NAD

"Uma paixão não resiste a um namoro a distância. Mas pode viabilizar um. É por estar apaixonado, louco pra participar da vida de alguém, ainda que distante, que você faz a escolha de manter um relacionamento um pouco... diferente.
Aqui cabe um parêntese: Você escolheu isso. Nada de ficar botando dificuldade, se fazendo de vítima e culpando o namorado por não estar ao seu lado quando você quer. Você mediu tudo isso antes. Ou pelo menos deveria ter pensado nisso. Então tenha cuidado pra não ficar fazendo tempestade em copo d'água.

À distância? Nossa, nem pensar. É coisa de louco. Tem que ter muito amor. Não vai dar certo.

Vai dizer que você nunca ouviu isso? É só a gente começar a perguntar sobre o assunto pra algumas pessoas. Dificilmente você ouve um "Olha, vale a pena. Não é um bicho de sete cabeças". Geralmente ele parte de quem vive/viveu um NAD.
Realmente, não é um bicho de sete cabeças, mas tem que ter estrutura pra namorar cada um no seu canto. Você aprende a lidar com saudade, ciúme, paciência, insegurança, planejamento, paixão e amor. Na marra.
Agora quero explicar o início do texto. Eu não penso que paixão seja ruim e amor seja bom. E se não houvesse a paixão? É ela que nos impulsiona, motiva, inebria. Mas a paixão precisa da presença. E cientificamente, ela por si só não dura muito tempo. Quando aprendemos a ajustá-la com o amor, aí sim. Quando aprendemos que podemos fazer o outro feliz, não importa a distância, que a certeza de ter o outro nos faz felizes, estamos amadurecendo e progredindo em um NAD.
Compromisso e respeito são palavras chave em qualquer relacionamento, imagine se for com km separando os enamorados. NAD não é um compromisso qualquer, não deve ser assumido levianamente. Por fim, não deixe que outras pessoas comentem "Nossa, coitada, deve ser horrível, que pena". Nada de autocomiseração. Você tem um alguém que te ama e é recíproco. Vocês são fortes o bastante para superar a ausência. Alegre-se e cuide bem do coração que Deus lhe deu para que vocês compartilhem do amor dEle, que esse sim, NADA pode nos afastar.

“Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, podem nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus” (Rm. 8:38-39)."

Espero que tenham gostado. Sinto saudade de blogar, mas meu tempo tá tão corrido... Já tenho um próximo post em mente, só preciso de tempo.